O Movimento Pela Soberania Popular na Mineração – MAM, vem a público denunciar violento ataque ocorrido na madrugada do dia 30 de abril de 2026, no Posto Avançado da RBMA Toca do Lobo, na Serra da Chapadinha, em Itaetê – Chapada Diamantina (BA), contra os guardiões ambientais Marcos e Alcione.

De acordo com informações, indivíduos armados invadiram a residência das vítimas e os ameaçaram, com armas de fogo, os deixando em cárcere privado e roubaram seus pertences. No ato da ação criminosa os sujeitos, além de ameaçar à integridade física das vítimas, também destruíram equipamentos essenciais, a exemplo de sistemas de energia solar, baterias, meios de comunicação e atearam fogo no local.

Como afirmou Marcos após o atentado: “quando uma arma está na cabeça de um ativista, ela está na cabeça de todos os ativistas”.

A Serra da Chapadinha sofre pressão constante da grilagem, especulação imobiliária e interesses minerários, colocando em risco comunidades, nascentes e defensores ambientais. E o ataque acontece em um contexto de crescente violência no campo e disputa sobre territórios estratégicos para preservação ambiental e segurança hídrica da Bahia.

Segundo apontamentos de dados do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Bahia está entre os estados com maior número de conflitos por terra e água no país. Somente em 2025, foram registrados 101 conflitos por terra e 19 conflitos pela água no estado.

Diante da gravidade dos fatos ocorridos, a Coordenação Estadual do MAM cobra posicionamento imediato do Governo do Estado da Bahia na pessoa do governador Jerônimo Rodrigues, com garantia de investigação célere, proteção aos defensores ambientais e responsabilização dos envolvidos.

Reafirmamos também a necessidade urgente da criação da Reserva ambiental da Serra da Chapadinha, medida fundamental para garantir proteção permanente a um dos territórios mais importantes para a recarga hídrica e biodiversidade da Chapada Diamantina, que está estagnado fazendo com que esse território fique vulnerável aos avanços dos interesses privados.

Nesse contexto, reforçamos a importância da organização, união e mobilização de territórios e povos impactados pelo capital mineral, agrário, hídrico e energético. A Chapada Diamantina é um dos territórios mais pressionados pela expansão de grandes empreendimentos do capital, cuja tendência é se ampliar no próximo período. Nenhuma conquista, nem a liberdade do território será alcançada sem organização, união e luta dos próprios povos. Nesse sentido, o MAM se coloca, com as demais organizações e as comunidades,  nessa importante tarefa de articulação, organização e luta por soberania popular sobre os territórios.

Nós do MAM reafirmamos nosso compromisso em defesa dos lutadores e lutadoras populares bem como as legítimas causas em defesa dos interesses de todo o povo.

 

Movimento Pela Soberania Popular na Mineração