“O estudo é o escudo, o conhecimento é libertador e a poesia salva vidas” (Lailson Ferreira)

Aos camaradas do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração

A construção de intelectualidades ou, melhor dizendo, o reconhecimento delas, nas regiões periféricas aos centros estabelecidos de poder pelo estado e capital é tarefa hercúlea. Na Amazônia, há várias referências de intelectuais, mulheres e homens, nessa diversidade de saberes, reconhecidos ou não, publicamente. Esse texto tem como objetivo introduzir alguns elementos sobre a produção de um intelectual Amazônida, Santareno, Jornalista, Sociólogo, chamado Lúcio Flávio Pinto que viu, narrou e formulou sobre vários acontecimentos na região amazônica que nos ajudar a compreender e debater o mundo desde os rios, florestas e territórios desde cá.

Nessa trajetória de construção do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração,MAM, que está em rumo a completar seus 15 anos de existência política, atravessamos um período de vários desafios impostos a luta de classes e as organizações e movimentos de esquerda pelo mundo, mas seguimos com serenidade da compreensão que debater e alterar o modelo mineral é necessário. Então construir ações de debates e formulações, para nós do MAM, é um método!

Construímos o I Encontro Nacional de Pesquisadoras e Pesquisadores sobre o Problema Mineral na Amazônia (EPPAM), no período de 25 a 27 de junho de 2026, em Belém/PA para realizar mais um passo na mobilização nacional que tem como objetivo provocar a sociedade brasileira, desde a Amazônias, a necessidade de debater, compreender e intervir a esse modelo mineral que está em fase incontrolável que afetando o povo brasileiro contribuindo as alterações climáticas, saqueando nossos bens naturais ou contaminando estes o que dificulta a construção de uma vida digna e soberania popular nesse país.

Então, no I EPPAM, realizamos um momento, de tantos de tamanha importância,que foi a homenagem ao amazônida Lúcio Flávio Pinto. Nós do MAM, realizamos tal ato não por simples questão de produção numérica sobre o setor mineral, sobre as amazônias ou as premiações que Lúcio recebe de forma merecida em sua trajetória. Realizamos por duas questões fundamentais e nossa militância precisa compreendê-las:

  • Coerência Política: Poucos foram os intelectuais que dedicaram sua vida a compreender a dinâmica da economia mineral e como ela afeta a vida das pessoas. O que nos faz herdeiros do repertório da produção da literatura de Lúcio Flávio Pinto que contém muitos conceitos e expressões em metáfora que utilizamos para falar sobre a mineração e nossa construção de um dialeto de interpretação do problema mineral brasileiro;

 

  • O espírito combativo e nossa construção de um estilo militante de ser: Lúcio foi de extrema lealdade ao jornalismo frente às realidades das narrativas capitalistas e de seus representantes combatendo e não deixando ser cooptado e agindo, mesmo ameaçado e agredido, pela diversidades de interesseiros que os grande, médios e pequenos projetos da burguesia internacional fora construindo na Amazônia. Ter um espírito combativo frente a força dos interesses da burguesia não é tarefa pouca e nem fácil. Reconhecemos que precisamos aprender com a insubmissão de Lúcio Flávio Pinto aos donos do poder.

 

  • Para um movimento que nasce na Amazônia é necessário saber o que é ser Amazônida: O MAM é fruto da nacionalização das lutas da região das amazônidas que se buscou se encontrar de forma solidárias com os demais problemas minerais mundo afora para criar pedagogias de combate e garantir direitos aos afetados do problema mineral. A produção jornalística e científica de Lúcio Flávio Pinto, desde 1970, serviu de base para a construção dessa nova identidade que pertence a todas e todos que entendem todas da lógica de subalternidade que a região sofre frente ao estado apropriado pelos capitalistas no país. Então o significado de ser Amazônida torna-se um convite a todas e todos que vieram para essa região e consegue compreender sua complexidades e lutas e as defende.Nós como militantes precisamos compreender essa questão, pois isso não é para ser mais que qualquer outro camarada nosso, é para não nos tornarmos menos.

Esses elementos que coloco de forma breve e resumida de que a obra de Lúcio Flávio Pinto pode contribuir a construção do MAM a nível nacional e parte de uma tarefa da militância da região das Amazônias de construir uma ou várias sínteses da luta de classes desde essas regiões como forma de contribuir as demais outras do país no horizonte de fortalecer uma soberania popular.

Estamos em um período de fazer a palavra em ação após nosso belo II Encontro Nacional no Ceará, fortalecendo nossa leitura sobre o problema mineral e sua expansão sobre o subsolo no país. Aos meus camaradas espero que esses poucos elementos  nos ajudem frente aos nossos desafios de conquistar os objetivos estratégicos do MAM.

(Nota de Rodapé do título)

Lúcio Flávio Pinto é jornalista desde 1966. Sociólogo formado pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1973. Editor do Jornal Pessoal, publicação alternativa que circula em Belém (PA) desde 1987. Autor de mais de 20 livros sobre a Amazônia, entre eles, Guerra Amazônica, Jornalismo na linha de tiro e Contra o Poder. Por seu trabalho em defesa da verdade e contra as injustiças sociais, recebeu em Roma, em 1997, o prêmio Colombe d’oro per La Pace. Em 2005 recebeu o prêmio anual do Comittee for Jornalists Protection (CPJ), em Nova York, pela defesa da Amazônia e dos direitos humanos. Lúcio Flávio é o único jornalista brasileiro eleito entre os 100 heróis da liberdade de imprensa, pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras em 2014.

Dioclecio Gomes (Dio)

Movimento pela Soberania Popular na Mineração

I Encontro de Professoras e Professores Pesquisadores sobre o Problema Mineral na Amazônia

Belém/PA

 

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